Voltar ou não para a escola? Entenda as questões envolvidas na busca pela decisão mais adequada

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Dra. Ana Cristina Pacheco Machado, médica pediatra. (CRM 116.654)

Atendimento na unidade de Boituva do Centro Médico São José.

Tel: (15) 3263 8282. WhatsApp: (15) 3288 4848.

Após quase um ano vivendo na pandemia, muitas pessoas foram lentamente retomando a vida social e o trabalho, no entanto, as crianças continuaram em casa, sem frequentar a escola. O que inicialmente seria uma quarentena, férias forçadas, acabou se estendendo por quase um ano longe dos amigos, da escola e do convívio social. No final do ano passado, algumas escolas particulares inclusive retomaram as aulas, porém, muitos adultos responsáveis pelas crianças ficaram em dúvida sobre levá-los ou não para a escola.

Agora em 2021, com o novo ano letivo se aproximando, a dúvida fica ainda mais importante, o que nos leva a refletir sobre algumas questões. Com relação aos riscos, caso o adulto esteja indo ao mercado, ao trabalho, utilizando transporte público e exercendo demais atividades externas, a criança já está, inevitavelmente, exposta ao risco de receber o vírus em casa.

No entanto, o vírus não é a única coisa a se preocupar. Ficando somente em casa, a criança corre outros riscos de adoecer, seja fisicamente ou psicologicamente. É frequente conversarmos com colegas e pacientes e ouvir relatos de que filhos estão com problemas emocionais, como: dificuldades com o sono, falta ou excesso de alimentação, transtornos de comportamento, excesso do uso de telas, sobrepeso (ou falta de peso), dentre outras questões que, igualmente precisam ser ponderadas.

Sabemos que, embora as crianças na grande maioria das vezes manifestem o quadro clínico leve ou assintomáticas quando infectadas, elas ainda podem ser um vetor e infectar familiares ou professores nas escolas, no entanto, o vírus está presente em todos os lugares, como: clubes, praias, casas de amigos e familiares e demais locais de convívio coletivo. Cabe refletir: “Se as crianças frequentam esses locais, porque não voltar para a escola?”.

Há exceções, como as crianças dos grupos de risco, tais como: cardiopatas; doenças sistêmicas ou auto imunes; em tratamento com imunossupressores; tratamentos oncológicos, dentre outros, que correm maior risco de adoecerem gravemente e, por isso, devem ficar em casa.

Com relação às demais, temos que colocar todas as questões em uma balança e avaliar o benefício dessa criança estar frequentando a escola nesse momento. Trata-se de uma criança em alfabetização ou é um adolescente em idade pré-vestibular? Qual o perfil dos demais moradores da casa? São idosos? São do grupo de risco? Estão trabalhando e saindo normalmente? As escolas estão adaptadas a recebê-los? Os professores estão com EPI?

É prudente também avaliar a situação da nova variante do vírus que já está presente no Brasil e a escalada de casos em algumas regiões. A proximidade da vacinação também é uma esperança de que em breve estejamos ainda mais seguros para retomar com mais “normalidade”.

Com todos esses fatores expostos, não temos uma resposta pronta. Todas essas questões irão nortear a resposta, que deve ser de cada família pensando na repercussão da saúde da criança e dos que convivem com ela, ou seja, na coletividade, com equilíbrio entre risco e benefício, exposição e segurança.

Dra. Ana Cristina fala mais sobre o assunto em um vídeo publicado no canal do YouTube do Centro Médico São José. Confira: https://youtu.be/iiRp9UnO0rk

Redação

Esta notícia foi publicada por um dos redatores do SeuJornal, não significa que foi escrita por um deles, na maioria dos casos, foi apenas editada.
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